Crise abala confiança do consumidor brasileiro no mês
27 February, 2009RIO DE JANEIRO (Reuters) – A deterioração do cenário econômico nacional e mundial provocada pelo agravamento da crise financeira derrubou em fevereiro a confiança do consumidor brasileiro para o menor nível da série histórica iniciada em 2005, de acordo com a Fundação Getúlio Vargas (FGV).
O índice de confiança em fevereiro com ajuste sazonal ficou em 94,6 pontos, uma queda 1,4 por cento ante janeiro e de 17,5 por cento frente ao memso mês do ano passado.
“O ambiente econômico em geral está afetando o humor do consumidor brasileiro. O mercado de trabalho piorou e não há expectativa de melhora no curto prazo. Há incertezas com inflação e dificuldade de comprar devido ao crédito mais caro e escasso”, disse a jornalistas o economista da FGV, Aloisio Campelo.
Desde o agravamento da crise financeira internacional em setembro do ano passado, o índice de confiança acumula uma perda de 13,4 por cento. “Não há correspondência na série iniciada em 2005. É o pior momento”, afirmou Campelo.
Ele destacou que a perda de confiança atingiu todas as faixas de renda, sendo que as maiores quedas ocorreram na faixas extremas: mais pobres -renda até 2.100 reais- e mais ricos -rendimento superior a 9.600 reais ao mês.
Segundo o economista da FGV, além do agravamento da crise global, o mês de fevereiro concentra uma série de despesas que também abalam o humor do consumidor brasileiro.
“A concentração de tarifas também mexe com o humor do consumidor. Em fevereiro, ele cai na real. O consumidor lembra que tem que pagar matrículas escolares, IPVA, IPTU e o décimo-terceiro salário já acabou”, avaliou o economista.
De acordo com a pesquisa de fevereiro, o índice de situação atual em fevereiro caiu 0,8 por cento ante janeiro e 15,5 por cento frente a fevereiro de 2008, enquanto que o indicador de expectativas recuou 1,7 por cento sobre janeiro e 18,6 por cento ano a ano.
Campelo destacou que a avalição sobre a situação atual atingiu o segundo menor patamar da história, mas o indicador de expetativas registrou um nível recorde de baixa.
“A economia brasileira tem que dar sinais de melhora para haver uma recuperação na confiança do consumidor.”
(Reportagem de Rodrigo Viga Gaier)