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Taxa de desemprego na zona do euro sobe para 8,2% em janeiro

27 February, 2009

SÃO PAULO – A taxa de desemprego na zona do euro ficou em 8,2% em janeiro, nos dados ajustados sazonalmente, mostrando um leve avanço com relação aos 8,1% observados em dezembro do ano passado. Os dados foram divulgados hoje pela agência oficial Eurostat e também evidenciam um aumento frente a janeiro de 2008, quando a taxa de desemprego foi de 7,3%.

Na região de moeda comum foram contabilizadas 13,036 milhões de pessoas sem emprego no mês passado. Na comparação com o mês anterior, a zona do euro registrou mais 256 mil desempregados, enquanto na comparação anual este número aumentou 1,641 milhão.

O estudo mostrou que as maiores taxas de desemprego foram registradas na Espanha (14,8%) e na Letônia (12,3%), enquanto as menores estão nos Países Baixos (2,8%) e na Áustria (4%).

Nos 27 países da União Europeia, a taxa de desemprego verificada em janeiro ficou em 7,6%, sendo que, em dezembro, era de 7,5% e, em janeiro do ano passado, de 6,8%.

(Vanessa Dezem | Valor Online)

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Crise abala confiança do consumidor brasileiro no mês

27 February, 2009

RIO DE JANEIRO (Reuters) – A deterioração do cenário econômico nacional e mundial provocada pelo agravamento da crise financeira derrubou em fevereiro a confiança do consumidor brasileiro para o menor nível da série histórica iniciada em 2005, de acordo com a Fundação Getúlio Vargas (FGV).

O índice de confiança em fevereiro com ajuste sazonal ficou em 94,6 pontos, uma queda 1,4 por cento ante janeiro e de 17,5 por cento frente ao memso mês do ano passado.

“O ambiente econômico em geral está afetando o humor do consumidor brasileiro. O mercado de trabalho piorou e não há expectativa de melhora no curto prazo. Há incertezas com inflação e dificuldade de comprar devido ao crédito mais caro e escasso”, disse a jornalistas o economista da FGV, Aloisio Campelo.

Desde o agravamento da crise financeira internacional em setembro do ano passado, o índice de confiança acumula uma perda de 13,4 por cento. “Não há correspondência na série iniciada em 2005. É o pior momento”, afirmou Campelo.

Ele destacou que a perda de confiança atingiu todas as faixas de renda, sendo que as maiores quedas ocorreram na faixas extremas: mais pobres -renda até 2.100 reais- e mais ricos -rendimento superior a 9.600 reais ao mês.

Segundo o economista da FGV, além do agravamento da crise global, o mês de fevereiro concentra uma série de despesas que também abalam o humor do consumidor brasileiro.

“A concentração de tarifas também mexe com o humor do consumidor. Em fevereiro, ele cai na real. O consumidor lembra que tem que pagar matrículas escolares, IPVA, IPTU e o décimo-terceiro salário já acabou”, avaliou o economista.

De acordo com a pesquisa de fevereiro, o índice de situação atual em fevereiro caiu 0,8 por cento ante janeiro e 15,5 por cento frente a fevereiro de 2008, enquanto que o indicador de expectativas recuou 1,7 por cento sobre janeiro e 18,6 por cento ano a ano.

Campelo destacou que a avalição sobre a situação atual atingiu o segundo menor patamar da história, mas o indicador de expetativas registrou um nível recorde de baixa.

“A economia brasileira tem que dar sinais de melhora para haver uma recuperação na confiança do consumidor.”

(Reportagem de Rodrigo Viga Gaier)

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Fernandes compra o Dresdner no Brasil

27 February, 2009

SÃO PAULO – Luiz Cezar Fernandes, o banqueiro que ficou conhecido por ter ajudado a fundar dois ícones do mercado brasileiro de bancos de investimento, o Garantia e o Pactual, está de volta. Ele fecha nos próximos dias a compra da licença de banco múltiplo, ativos e funcionários do Dresdner Bank no Brasil, hoje controlado pelo alemão Commerzbank.

Um dos principais focos do novo negócio será a reestruturação de passivos, atividade que marcou sua passagem pelo Pactual e que está na ordem do dia em meio à crise financeira e à quantidade de empresas que se machucou com a desvalorização cambial. “Posso fazer acordos muito melhores que esses que têm saído por aí”, afirmou o polêmico banqueiro, por telefone, de Trancoso, na Bahia. E emendou, sem modéstia: “Vou criar um verdadeiro puro sangue banco de investimento.”

Fernandes inicialmente pretende deixar suas ovelhas, que cria na Fazenda Marambaia, em Petrópolis, e atuar em São Paulo, no escritório do Dresdner em frente ao Shopping Iguatemi, na mesma avenida Faria Lima do UBS Pactual. Vai passar um tempo na capital paulista, mas seu objetivo é o de mais que dobrar o total de funcionários e abrir um escritório no Rio.

O valor do negócio foi estimado entre US$ 80 milhões e US$ 100 milhões, que representa hoje cerca de 4% do capital do Commerzbank. Segundo ele, o conselho de administração do banco alemão, em Frankfurt, já aprovou a venda, que deve ser assinada ainda na semana que vem. Depois, é necessária a aprovação do Banco Central. Na empreitada, ele conta com um sócio: o médico Eugênio Holanda, que administra uma carteira de R$ 5 bilhões de CVS, títulos lastreados no Fundo de Compensação de Variações Salariais (FCVS).

O FCVS é um esqueleto que vem de antigos contratos de financiamento imobiliário. Paulatinamente, o governo vem reconhecendo a dívida e a transformando em títulos com pagamento até 2027. Grande parte desse crédito está nas mãos da Caixa Econômica Federal e nos bancos em liquidação, como o Nacional – uma das instituições que Luiz Cezar tentou assumir em 2002, sem sucesso.

Agora, a ideia é tirar proveito dos efeitos da crise sobre as empresas. “Sou especialista em crises”, diz Fernandes, que sofreu na pele uma delas, em 1999, quando seus sócios o colocaram para fora do Pactual. Um dos ex-sócios ouvidos pelo Valor acredita que o banqueiro saiu com a imagem arranhada do episódio, mas diz que nada se sobrepõe a performance. “E ele está criando o banco de investimento em uma boa hora, quando estão sendo desmontadas diversas estruturas no Brasil”, explica, acrescentando que o grande desafio do banqueiro será se cercar de bons profissionais, com habilidades complementares, como ocorreu na fundação do Pactual. “O mercado também está bem mais difícil e a oportunidade será maior se ele se focar em um nicho.”

O “mercado mais difícil” parece ser o que dá mais ânimo a Luiz Cezar para montar o banco de investimento. “Os gringos estão em dificuldades e os nacionais estão cheios de esqueletos no armário”, afirma. Ele conta que o Pactual e o Garantia nasceram e cresceram em meio às crises. “Vim da área de tesouraria, que ganha importância em momentos de maior volatilidade”, afirma o banqueiro.

Além da reestruturação de passivos, Luiz Cezar quer que o novo Dresdner, nas suas mãos, atue com força na área de fusões e aquisições. “Há vários setores precisando de consolidação, como por exemplo o do açúcar”, diz. Ele também quer atuar na gestão de recursos próprios e de terceiros. “Queremos lançar produtos estruturados, como por exemplo papéis indexados ao preço do petróleo em Londres e que pagam uma taxa de juros de 4% a 5%”, afirma. Pretende ainda também lançar carteiras para investimento em bolsa.

Reestruturação de passivos, fusões e aquisições, gestão de recursos e bolsa, portanto, serão os focos de ação do banco. Alguma semelhança com o Pactual?

As negociações para a compra do Dresdner no Brasil se iniciaram em outubro do ano passado, logo após a compra do Dresdner pelo Commerzbank, por 9,8 bilhões de euros, em transação anunciada em agosto de 2008. Segundo executivos do mercado, mesmo antes mesmo da aquisição, o Commerzbank havia deixado claro que não tinha interesse no banco de investimento do Brasil. A instituição tem cerca de 60 funcionários no país, patrimônio líquido total de R$ 313 milhões e ativos em reais de R$ 2 bilhões. Os valores não consideram os ativos com risco-Brasil contabilizados no mercado externo, a maior parte empréstimos em dólar, de cerca de US$ 1,5 bilhão.

Não é a primeira vez que Luiz Cezar Fernandes tenta voltar ao mercado financeiro depois de sua tumultuada saída do Pactual, em 1999, após disputas com sócios do banco. Em 2002, ele criou a Invixx Investimentos e Participações, em sociedade com o ex-embaixador Jório Dauster. Naquele ano, a Invixx chegou a obter do Planalto um decreto presidencial para ter 29% de uma distribuidora de valores, mas o pedido foi revogado meses depois, a pedido da própria Invixx. Foi um banco que ele fundou e não deu certo.

Há uma curiosidade nesta nova iniciativa. Um dos sócios que protagonizaram a saída de Fernandes do Pactual, André Esteves, também não está mais na antiga casa. Saiu depois de tentar uma tacada ousada e se desentender com executivos da matriz. No fim de 2008, Esteves comprou parte dos ativos do Lehman Brothers no Brasil.

(Cristiane Perini Lucchesi e Raquel Balarin | Valor Econômico)

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